Eu deveria ter uns 13 anos de idade quando meus pais ventilaram uma ideia, na ocasião, absurda e extrema: uma mudança de cidade - para o interior de nosso estado, numa cidadezinha em suposta franca ascensão. Estava terminando minha sexta série (a antiga sexta série), após um ano de adaptações, porque eu terminara o ano anterior com muitos novos amigos e nenhum deles estava na minha sala de aula. Foi difícil e desafiador, mas fiz amigos na sexta série que eu acompanho até hoje, mesmo com a cruel distância que se formou entre alguns de nós. E quando meus pais chegaram com essa ideia, eu fiquei muito preocupado.
A mudança, no final das contas, não aconteceu.
2018. Uma ideia vem perseguindo a minha cabeça. A ideia de um recomeço, uma mudança de ares. Fugere urben. Até que não seria uma má-ideia eu escapar da cidade onde morei toda a minha vida e que, apesar de reconhecer como lar, parece não me satisfazer mais. É uma impressão, muito forte de que eu já conheço todos os seus segredos e suas pessoas não me atraem mais.
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| "You told me once I have a rebel heart" - primeira fase do disco |
Logicamente que essas ideias não brotam do nada. São dores e decepções que vieram se acumulando ao longo dos últimos anos. Ruínas que, apesar de pavimentarem minha história, ainda assim são ruínas. Ando pelas ruas e converso com aqueles que conheço e sinto que já extraímos todas as possibilidades de surpresas ou daquele momento especial de reconhecimento, uma conexão com algo externo que parece ter sido desenhado para você.
Esse tipo de surpresa foi o que eu tive com esse novo cd da dupla sueca First Aid Kit. Porque é um álbum que fala comigo de tantas coisas e me dá uma vontade louca de pegar um conversível e sair pelas estradas, apenas com essa música me acompanhando. Pela certeza de que todos os dias são novos recomeços:
"Then suddenly we wake from this dream that we made
It hits you all at once and then it slowly fades
I'm racing into nothing now, it all falls away
I know it now for my own sake that I cannot stay"
E não falo apenas do espaço físico conhecido como minha cidade ou meu bairro. Falo também das pessoas que conheci pelo caminho, as várias que eu deixei pra trás ou as muitas que o tempo afastou. E houveram ainda aquelas em que eu fiz questão de afastar, na tentativa em vão de ferir a indiferença com a qual eu fui (e em alguns casos ainda sou) tratado por alguns.
Há espaço para lamentações, mas há maior disposição para recomeços. Reinícios. Me darei o luxo de dizer que vocês me perderam. E eu mal posso esperar pra dar o fora e iniciar novos capítulos, num livro que eu espero ser longo o suficiente para ter um final feliz:
"Ruins,
All the things we built assured that they would last
Standing amongst ticket stubs
And written notes and photographs
And where are you in here
Somewhere I cannot go
I am sorry, I am
But I don't take it back"




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